<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590</id><updated>2011-10-06T08:49:22.040-07:00</updated><category term='A Prosa Mata'/><category term='A Poesia Mata'/><title type='text'>O Arsénio Mata</title><subtitle type='html'>Todas as coisas que foram ditas e espalhadas.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>52</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-3157180310749805633</id><published>2010-04-14T16:43:00.002-07:00</published><updated>2010-04-14T16:44:43.209-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>É a vida...</title><content type='html'>As minhas pernas tremiam enquanto andava. Acabava de receber a noticia de que ia morrer. O médico disse-me:&lt;br /&gt;você tem três meses de vida&lt;br /&gt;e o que eu ouvi foi:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;vida, vida, vida, vida, vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como o bip de uma máquina, daquelas que contam os últimos segundos de uma vida. Daquelas que se silenciam com o nascer de uma morte. Eu só conseguia pensar na morte que me esperava e na vida que nunca tive no sentido figurado e que agora deixaria de ter no sentido literal. Só pensava em todos os segundos em que apenas respirei. Em todas as coisas que não fiz porque não pude e porque não quis. Todas as conversas que tive e que foram na verdade monólogos, quer da minha parte, quer da parte de quem supostamente falava comigo.&lt;br /&gt;Olho para o rio e ele parece disposto a ouvir-me. Três meses é demasiado tempo para pensar no que poderia ter sido, e pouco para de facto sê-lo. A frieza da água pela primeira vez aqueceu-me os ossos, como se esta matasse o vírus que me matava a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte a minha mãe receberia um telefonema a avisar que tinha havido um erro nos exames, e que estava tudo bem comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pela primeira vez está.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-3157180310749805633?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/3157180310749805633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/e-vida.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3157180310749805633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3157180310749805633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/e-vida.html' title='É a vida...'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-4236312357522087073</id><published>2010-04-14T16:43:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:43:45.220-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>Abri os olhos</title><content type='html'>Abri os olhos e percebi que estava morto. Olhei à minha volta e vi o meu corpo estendido, na cama, imóvel. Vi o meu corpo e soube que o meu corpo já não era meu, já não o possui-a. Não sei sequer se alguma vez este corpo foi meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo tudo desfocado, com a neblina que só um estado avançado de cataractas te pode oferecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se morri ou se me mataram, mas depois de morto isso é indiferente. Reparo que os olhos do meu anterior eu ainda estão abertos, a boca aberta também, numa imagem um pouco absurda, mas que não me dá vontade alguma de rir. Olho para esta cara e para este olhos e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A neblina desaparece e a claridade desaparece e este momento desaparece&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou a olhar para mim há três dias atrás, sentado no café. Joga-se cartas e alguém pede uma mini, e eu tenho o Ás de trunfo na mão. No entanto tenho uma manilha seca. Faço sinal ao meu colega e ele diz-me que não tem o Ás desse naipe. Acendo um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho 8 anos e a minha mãe não me dá o Action Man que eu quero, e eu faço birra, e choro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caem-me lágrimas, como se eu as pudesse verter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e choro e choro. Ela diz que não vai dar e eu só penso que a minha vida é tão injusta e ela não é mais minha mãe e eu só quero morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o padre pergunta-me se eu aceito a Isabel para ser a minha mulher, na pobreza e na riqueza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe. Eu olho para trás e a minha mãe está a sorrir e quase a chorar, e está tão feliz, tão feliz, tão feliz. E o vazio dentro de mim diz: Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o meu parceiro joga o Ás de paus, e como eu estou seco a paus, jogo a manilha. Às vezes consegues safar uma manilha. Alguém fala da bebedeira que tinha no sábado passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou no trabalho e uma colega fala-me da “sopinha que fez ontem”, da forma como “cortou uma cenourinha”, descascou “uma cebolinha”, e a certo ponto perco-me, mas tenho a certeza de que ela ainda está a falar de legumes. Aceno-lhe que sim, murmuro “eu gosto de sopa”, isto tudo enquanto faço o esforço de olhar para ela. A única razão pela qual ainda consigo manter o meu olhar na sua cara, enquanto ela fala de sopa e puré de batata e arrozinho, é porque os meus olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão desfocados. Com a neblina que só um estado avançado de cataractas te pode oferecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo a Isabel entrar no quarto e chamar por mim, ela diz que o pequeno almoço está feito. É domingo de certeza. Só ao domingo é que ela prepara pequeno almoço para nós. Ela pensa que isso é romântico e eu penso que não me importava muito com isso, desde que comesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gritos dela, ao fitarem os meus antigos olhos, vítreos, fazem-me acreditar no amor que ela sentia por mim. Sei que se a situação fosse inversa, eu manteria toda a calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu ex-corpo na morgue e o médico legista e o médico estagiário olham para dentro do que eu já fui, e tiram orgãos, e fazem testes, e esvaziam o conteúdo das tripas e esvaziam o que eu já fui. E eu identifico-me com este corpo, vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autopsia é inconclusiva. Fecham o torso em Y, cosem a pele, a carne. A agulha entra e sai da pele, da carne. Este corpo não é mais do que um desperdício de linhas, de pele, de carne. Este enorme urso de peluche está prestes a ser enterrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus pais e a minha mulher (será que ainda são meus pais e minha mulher, depois da minha morte?) choram e uma enorme fila de pessoas cumprimenta-os, diz-lhes que lamentam muito, dão-lhes pêsames. Aposto que isso faz toda a diferença para eles. Vejo o meu tio paterno, com quem deixei de falar há 6 anos, aquando da morte do meu avó. Vejo uma ex-namorada, a qual traí, e que me disse que me odiava e que esperava que eu morresse. Vejo pessoas que não conheço, que sei que os meus pais não conhecem, que sei que a minha mulher não conhece. Todas elas lamentam muito a minha morte. Todas elas à noite já não se lembrarão de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns amigos meus falam de como eu era boa pessoa, um bom amigo. Dizem que são sempre os melhores que partem. Um diz:&lt;br /&gt;-Se bem que estava sempre a trair a mulher.&lt;br /&gt;- É. Bem boa a mulher dele.&lt;br /&gt;- Pois é. Eh pah, mas um gajo que traí tantas vezes a mulher não pode ser assim tão boa pessoa.&lt;br /&gt;- Pois. Se calhar tens razão. Pah, eu nem sequer era assim tão amigo dele. Tomava-mos um cafézinho às vezes.&lt;br /&gt;- Pois, eu também&lt;br /&gt;- Vamos embora? Daqui a pouco começa o Benfica.&lt;br /&gt;- 'Bora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caixão é aberto, e lá está o corpo, sereno, com um estranho sorriso nos lábios e os olhos fechados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A névoa dissipa-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o funeral do meu avó é a recordação mais triste que tenho. Eu gostava muito do meu avó e custou-me muito ver o meu tio tão preocupado com as partilhas. Nessa altura pensei: “nunca mais lhe falo”.&lt;br /&gt;Chorei muito ao ver o meu avó, pela última vez, deitado no seu caixão, com um sorriso nos lábios. A única pessoa de quem eu realmente gostei foi do meu avó, porque ele me compreendia. Na altura assustei-me com aquele sorriso, mas agora percebo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A névoa retorna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que os médicos não perceberam. Eu fui o segundo caso na minha família em que a autopsia ao corpo foi inconclusiva. O primeiro foi o meu avó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o corpo afinal é meu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não perceberam que o cansaço foi a causa da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o meu sorriso torna-se uma gargalhada ao ouvir a terra cair por cima da tampa fechada do caixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechei os olhos e percebi que estava vivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-4236312357522087073?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/4236312357522087073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/abri-os-olhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4236312357522087073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4236312357522087073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/abri-os-olhos.html' title='Abri os olhos'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-2856372281234869107</id><published>2010-04-14T16:42:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:42:59.260-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>Isolação</title><content type='html'>“Isolation is, in fact, the only thing i require” - Despised Icon&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo a meio da noite e sinto os lençóis todos molhados. Mijei outra vez na cama. Estes pesadelos andam a matar-me. Quase como se fossem reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontro o Zé enquanto vou a caminho do trabalho e ele está, como de costume, impecável. O Zé tem a minha idade, mas, ao contrário de mim, que ando curvado, o porte dele é o porte de um atleta de competição. A maneira como o fato de linho lhe assenta nos ombros é um sinal da confiança que emana dele. Se houvesse uma água de colónia que fosse baseada no seu cheiro, o nome a dar-lhe seria certamente Confiança. Com C maiúsculo. Ou melhor ainda: Arrogante. Com A grande e a negrito. Ele sorri-me com o seu sorriso perfeito e eu ouço o anúncio na minha cabeça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compre já Arrogante. O perfume que só os verdadeiros homens usam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ás vezes penso como é que um gajo destes se pode chamar Zé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos os dois juntos na empresa e ele capta logo a atenção geral, com o seu andar controlado e casual. Um descontraído chic, poderia dizer-se do estilo todo deste gajo. Ele acena sorrisos e sorri acenos a todos e eu penso que apertei demasiado a gravata. O solo à minha volta anda à roda e eu sinto o suor a colar-me a pele. Ouço vagamente alguém a perguntar se me estou a sentir bem e a seguir bato com a cara no chão. Pela terceira vez esta semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou no médico, mas não por querer verdadeiramente saber o que se passa. Estou no médico porque abri o lábio e ele está a coser-me a ferida. Enquanto sinto a linha a unir-me a carne, enquanto sinto a pele a esconder a carne viva, outra vez, só penso, só ouço, só vejo um copo de whisky. E o riso do Zé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não me dou ao trabalho de mudar os lençóis sempre que urino neles. Muitas vezes ponho apenas uma tolha de cara por cima da zona que se molhou, e durmo assim, junto do que há de melhor em mim. O meu próprio mijo. O que há de mais quente em mim.&lt;br /&gt;Há garrafas vazias e garrafas partidas e garrafas semi-bebidas com beatas de cigarros lá dentro por todo o quarto, por toda a casa. Há louça suja espalhada e muita desta louça já tem comida podre ou mesmo larvas a mexerem-se lá dentro. A minha companhia em casa são estas larvas e as moscas — não poderia desejar por melhor.&lt;br /&gt;A única zona que mantenho impecavelmente limpa é o armário. No armário é onde tenho os meus fatos. Que estão sempre, eles também, impecavelmente limpos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei porque mas aceitei ir sair com uns conhecidos, e eles dizem, quando entro no carro em que me vêm buscar, que vamos às putas. Se o pânico tivesse um número de telefone eu ligava-lhe agora.&lt;br /&gt;Eles riem-se e eu não percebo se estão a gozar comigo ou não, mas vou o caminho todo a pensar se estão a gozar comigo e rio-me quando um diz uma piada e outro pergunta-me pela Marina e eu não sei quem é a Marina mas digo “oh, está bem” e ele diz qualquer coisa e eu estou a pensar porque é que tive que ficar sentado no meio entre estes dois calmeirões, com caras de actores de cinema, e só me apetece gritar e gritar e gritar. E não sei porque é que trouxe a gravata e começo a desapertá-la e um deles diz “porqueéquetrouxesteagravata” tão rápido que eu não percebo e está tudo a andar à roda e eu só me apetece gritar e gritar e gritar. E estou quase a fazê-lo quando um deles diz:&lt;br /&gt;—Chegámos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos numa casa de meninas, e eu já vou no sétimo copo de whisky. Estou-me a rir e a brincar, e até digo uma piada ou outra, e a minha cabeça só pensa: esta tudo a olhar para mim. Fumo um cigarro, dois, três, quatro, só mesmo para ter alguma coisa que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos para outro bar e o ambiente é escuro e a música toca alto. Seria perfeito, não fosse estar cheio de gente. Os corpos dançam, roçam uns nos outros e o ar cheira fortemente a fumo e suor. Eu enfio-me no balcão e apesar de saber que ninguém está a olhar para mim, sei que todos estão a olhar para mim. Uma rapariga despeja um pouco de vodka em cima do meu fato e eu por pouco não lhe parti o meu copo na cabeça. Só não o fiz porque sei que todos deixariam de fingir que não estão a olhar para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vou no décimo sétimo ou vigésimo terceiro whisky, não sei bem. Acho que já bebi um pouco de vodka também Fumei à vontade dois maço de tabaco. Nas últimas duas horas as minhas únicas palavras foram: “mais um”. Ou: “outro whisky”. Nem está a correr mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vejo o Zé a vir na minha direcção já é tarde de mais para fugir para outro lado. Ele diz-me “então pá” e eu reparo como até a bebedeira dele é elegante. Digo-lhe que tenho que ir à casa de banho, porque só me apetece rasgar-lhe a cara toda, partir um copo e com um caco, desfazer-lhe aquele nariz perfeito, arrancar-lhe aqueles olhos verdes, macerar-lhe as maçãs do rosto, fazer-lhe um sorriso de orelha a orelha. Como eu amo este gajo. Como eu detesto este gajo. Bebo mais dois shots e fujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou com a cabeça enfiada na sanita, a vomitar o jantar, e tenho plena consciência que não é do álcool. Também tenho plena consciência que não pertenço aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me estou a preparar para ir embora, aparece-me este gajo horrível, com uma cicatriz desde o olho até ao queixo. A cicatriz é tão profunda e ele também é cego desse olho. Os lábios estão deformados, parece que foram mergulhados em ácido ou algo do género. Este gajo está-me a meter um nojo do caralho porque não para de olhar para mim como se eu fosse a coisa mais feia que ele já viu no mundo, como se eu fosse a mistura entre um papa-formigas e um louva-a-deus. Logo este gajo, com este caretão. Começo a insultá-lo e à mãe dele e ele responde-me. O meu medo e falta de confiança só alimentam mais a adrenalina que flui dentro de mim. Começo a esmurrá-lo, deformando mais ainda aquela cara de animal doente. Esmurro-o até os nós dos meus dedos sangrarem, até as minhas mãos sangrarem todas. Dou-lhe cabeçadas com tanta força que a minha testa já sangra abundantemente. Cada pedaço de vidro que se me espeta na mão é um pedaço da minha alma que morre. Cada pedaço de espelho que se desfaz é uma aproximação à única coisa que eu exijo. Isolação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-2856372281234869107?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/2856372281234869107/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/isolacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2856372281234869107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2856372281234869107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/isolacao.html' title='Isolação'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-8120561232768275041</id><published>2010-04-14T16:41:00.002-07:00</published><updated>2010-04-14T16:42:10.650-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Hoje Escolhi</title><content type='html'>Hoje escolhi não te amar.&lt;br /&gt;Olhei-te na cara&lt;br /&gt;e neguei a voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há escolhas impossíveis de fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-8120561232768275041?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/8120561232768275041/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/hoje-escolhi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8120561232768275041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8120561232768275041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/hoje-escolhi.html' title='Hoje Escolhi'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-2546330996388489360</id><published>2010-04-14T16:41:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:41:40.502-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Todos os Homens</title><content type='html'>Todos os homens,&lt;br /&gt;adornados pelo&lt;br /&gt;seu nome,&lt;br /&gt;reunidos à volta da fogueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crepitar das chamas&lt;br /&gt;e todos os gritos.&lt;br /&gt;Todos os nomes&lt;br /&gt;gitados pelo som&lt;br /&gt;da madeira a arder.&lt;br /&gt;O fumo perverso&lt;br /&gt;no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fumo é espesso&lt;br /&gt;a terra é espessa&lt;br /&gt;a mente é espessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os homens,&lt;br /&gt;reunidos à volta da fogueira,&lt;br /&gt;adornados pela perversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doce cheiro do suor&lt;br /&gt;e da madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu nome e o nosso nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os homens,&lt;br /&gt;um grita, outro empurra, outro cai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;outro cai, outro empurra, outro grita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os homens,&lt;br /&gt;reunidos dentro da fogueira,&lt;br /&gt;devorados pelos gritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pelos nomes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doce cheiro da carne queimada,&lt;br /&gt;perversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os gritos dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-2546330996388489360?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/2546330996388489360/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/todos-os-homens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2546330996388489360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2546330996388489360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/todos-os-homens.html' title='Todos os Homens'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-8684426823323102737</id><published>2010-04-14T16:40:00.002-07:00</published><updated>2010-04-14T16:41:07.049-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Apoplexia</title><content type='html'>Vozes falam comigo&lt;br /&gt;e dizem-me:&lt;br /&gt;tudo vai ficar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma névoa, um mar&lt;br /&gt;branco e ácido&lt;br /&gt;devora-me por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus lábios&lt;br /&gt;mexem-se&lt;br /&gt;e dizem:&lt;br /&gt;nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha mente&lt;br /&gt;pensa&lt;br /&gt;e é:&lt;br /&gt;nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma estrada vazia.&lt;br /&gt;À minha frente.&lt;br /&gt;Um sepulcro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-8684426823323102737?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/8684426823323102737/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/apoplexia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8684426823323102737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8684426823323102737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/apoplexia.html' title='Apoplexia'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-2193509467124671430</id><published>2010-04-14T16:40:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:40:39.262-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Praia</title><content type='html'>Os dois na praia,&lt;br /&gt;deitados na areia.&lt;br /&gt;Molhada.&lt;br /&gt;E o teu corpo.&lt;br /&gt;O mar apaga um sulco.&lt;br /&gt;Eu abraço o mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-2193509467124671430?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/2193509467124671430/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/praia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2193509467124671430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2193509467124671430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/praia.html' title='Praia'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-3692067151259986301</id><published>2010-04-14T16:39:00.000-07:00</published><updated>2010-04-14T16:40:08.980-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>Funeral na vila</title><content type='html'>O Bernardo encontra-me na rua e diz-me que a Joana morreu. Ele diz-me que o funeral é no dia&lt;br /&gt;seguinte e que a família dela vai estar na capela da vila hoje, até às onze da noite. Ele diz-me que vai lá agora, falar com o Senhor João e a Dona Carla, dizer que lamenta muito. Ele diz-me isto tudo e as lágrimas vêem-lhe aos olhos. Eu abraço-o, sem saber se é isso que é suposto fazer e as lágrimas vêem-me aos olhos, não porque eu gostasse muito da Joana. Eu só lamento é toda esta conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego a casa e a minha mãe pergunta-me se vou à capela e eu só tenho vontade de lhe dar um murro, mas a custo digo que não, hoje não. Finjo que não vejo a minha namorada sentada no sofá da sala e vou a correr para a casa de banho, onde me sento na sanita e tranco a porta. A tragédia da minha vida era que eu já sabia que a Joana ia morrer e não pude fazer nada para o evitar. A minha namorada bate à porta e pergunta-me se está tudo bem e só a muito custo repreendo um último soluço antes de lhe responder que sim. Olho para o espelho e assusto-me ao olhar para os meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos a jantar e parece que a merda da morte da Joana vai ser o tópico da conversa e eu só me apetece perguntar aos meus pais porque é que, se gostavam tanto dela, não a fizeram para o jantar em vez desta merda de coelho que estamos a comer. Rio-me com esta ideia e todos se calam e ficam a olhar para mim. A minha namorada pergunta:&lt;br /&gt;- Qual é a piada?&lt;br /&gt;- Nada, foi dos nervos - e sorrio-lhe de uma forma que sei que a vai acalmar. O meu pai retoma o seu discurso:&lt;br /&gt;- Bem, eu estava a dizer que amanhã devíamos ir todos juntos ao funeral. Os teus pais certamente que também vão, Renata. - apesar de não ser uma pergunta, ouço-a responder que sim. Vejo o seu entusiasmo quando me pergunta:&lt;br /&gt;- Podemos ir todos juntos amor? - eu estou prestes a virar a mesa ao contrário, mas controlo-me e respondo apenas:&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;O meu irmão, que tem apenas 11 anos, sorri do outro lado da mesa e eu não sei porque, ou se calhar prefiro não saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã, enquanto me preparo para sair de casa olho pela janela e vejo o meu irmão e mais dois amigos aos pontapés e pedradas a um cão vadio. Tenho pena do cão, enquanto penso que há brincadeiras que nunca mudam. Invejo o meu irmão, pela liberdade que a idade lhe confere. Invejo o meu irmão por não ter que ir ao funeral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Batem à porta e é a Renata, com os pais. Eu não gosto nem da Renata ,nem dos pais dela, nem da casa dela, nem de nada que tenha a ver com ela. Mas vamos-nos casar daqui a um mês porque ela está grávida e não é bom que nos casemos com a barriga a notar-se. Isto foi-me sugerido pelo pai dela e pelo meu, aquele tipo de sugestão que na verdade é uma ordem.&lt;br /&gt;Saímos para a rua, eu e os meus pais e toda a vila está vestida de negro. Perto de 800 formigas, de luto, encaminham-se para a igreja da vila. Chegados a igreja fujo para junto de alguns amigos meus, que fingem não estar bêbados. Eu apenas finjo que me importo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem toda a gente vai caber na minúscula igreja e eu digo que devíamos ficar cá fora, mas o meu pai diz que devíamos entrar e eu olho para ele e agradeço a Deus por não ter ali um machado à mão. A Renata agarra a minha mão à medida que entramos na igreja e a minha respiração acelera e ela pergunta "o que foi" e eu penso "cala-te puta" e não digo nada e começo a suar e aperto mais a mão dela e ela diz baixinho "estás-me a magoar" e eu só vejo a cara da Joana e só ouço o último grito que ela deu e estou quase a desmaiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caixão da Joana está fechado durante toda a cerimónia, porque o funerário não conseguiu fazer nada. Na verdade, nem um cirurgião estético conseguiria fazer alguma coisa. A cara da Joana foi devorada. As autoridades suspeitam que tenha sido por um lobo. E eu podia ter evitado que a sua cara tivesse sido devorada. Mas a verdade é que eu não gostava muito da Joana. A verdade é que eu não gosto muito de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos no cemitério e eu vejo o coveiro despejar terra na cova onde a Joana agora vai descansar, sem cara, para sempre. Vejo o coveiro agarrar na pá com força e enterrá-la num monte de terra que está ao lado da cova. E mais uma vez vejo-o a despejar terra na cova. Muita gente chora e lamenta-se e eu só lamento não poder pegar na pá e fazê-los calarem-se todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos a caminho de casa e eu penso que a morte da Joana vai estar sempre relacionada com o meu filho, ou filha, que ainda está para nascer. Foi ontem que eu descobri que ia ser pai e foi ontem que a Joana morreu. Foi ontem que eu soube que ia ter que casar com a puta da minha namorada e foi ontem que os meus pais me contaram os pormenores da morte da Joana, fingindo não estarem maravilhados com o macabro. Foi ontem que pela primeira vez em 22 anos eu soltei toda a raiva que tive dentro de mim durante todo esse tempo. Foi ontem que eu devorei a cara da Joana. O mais engraçado disto tudo é que eu nem sei que dia foi ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos no meu quarto, a Renata e eu, e eu olho pela janela. Ela pergunta-me em que é que eu estou a pensar. Como eu não respondo ela diz:&lt;br /&gt;- Gostavas dela.&lt;br /&gt;- Nem por isso. Era-me indiferente.&lt;br /&gt;- Então o que se passa contigo?&lt;br /&gt;- Não sei. Nunca soube. - ela fica confusa e cala-se. Vejo o meu irmão esmagar um pombo com uma pedra, lá em baixo no quintal da casa, quando ela grita:&lt;br /&gt;- Está a dar pontapés! Está a dar pontapés! O bebé está a dar pontapés amor. - e apesar de saber que é parvoíce dela e que ainda é muito cedo, por momentos acredito-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-3692067151259986301?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/3692067151259986301/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/funeral-na-vila.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3692067151259986301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3692067151259986301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/funeral-na-vila.html' title='Funeral na vila'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-2754542638945547168</id><published>2010-04-14T16:38:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:38:44.186-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Between the buried and me</title><content type='html'>Entre mim e os mortos&lt;br /&gt;há oceanos de vida,&lt;br /&gt;azul limpido&lt;br /&gt;e salgado.&lt;br /&gt;Peixes de todas as cores.&lt;br /&gt;Cores de todos os peixes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre mim e os mortos&lt;br /&gt;há quedas de água,&lt;br /&gt;cataratas.&lt;br /&gt;Como as dos olhos.&lt;br /&gt;Perco-as de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo cai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre mim e os mortos&lt;br /&gt;há pedras&lt;br /&gt;nas margens dos rios.&lt;br /&gt;Há musgo e lama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo se afoga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre mim e os mortos&lt;br /&gt;há um lago de água tépida.&lt;br /&gt;Calor imaginário.&lt;br /&gt;Reflexo intemporal.&lt;br /&gt;Reflexo imóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo se mexe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre mim e os mortos&lt;br /&gt;há a água suja dos esgotos.&lt;br /&gt;Há a merda e o cheiro a merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo se esgota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre mim e os mortos&lt;br /&gt;há apenas o fio de água&lt;br /&gt;que cai de uma torneira,&lt;br /&gt;fina como a leveza&lt;br /&gt;do meu corpo.&lt;br /&gt;A leveza da minha alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo.&lt;br /&gt;Entre mim e os vivos não há nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-2754542638945547168?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/2754542638945547168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/between-buried-and-me.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2754542638945547168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2754542638945547168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/between-buried-and-me.html' title='Between the buried and me'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-1611737138515524900</id><published>2010-04-14T16:37:00.002-07:00</published><updated>2010-04-14T16:38:06.247-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Mãos</title><content type='html'>Morde-me as mãos - Mão Morta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas mãos molhadas&lt;br /&gt;e pegajosas, quentes,&lt;br /&gt;da tua saliva animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua língua já conhece&lt;br /&gt;o sabor do sangue,&lt;br /&gt;e as minhas veias&lt;br /&gt;bombeiam.&lt;br /&gt;Bombeiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas mãos devoradas&lt;br /&gt;e eu já não sei o que é&lt;br /&gt;o meu sangue e a tua&lt;br /&gt;saliva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o meu corpo bombeia&lt;br /&gt;todo o ódio que sentes.&lt;br /&gt;E os cortes que fazes&lt;br /&gt;em ti mesma com&lt;br /&gt;lâminas ferrugentas&lt;br /&gt;só me cortam a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas gotas de sangue&lt;br /&gt;no chão.&lt;br /&gt;Vermelho escuro&lt;br /&gt;preto nos azulejos&lt;br /&gt;brancos do chão.&lt;br /&gt;Cheiro a ferrugem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua língua na minha boca&lt;br /&gt;e eu digo:&lt;br /&gt;morde-me antes as mãos.&lt;br /&gt;A tua pele cicatrizada de&lt;br /&gt;encontro a minha e eu digo:&lt;br /&gt;morde-me antes as mãos.&lt;br /&gt;O teu sangue e o meu&lt;br /&gt;espalhado pelos nossos corpos&lt;br /&gt;e eu digo:&lt;br /&gt;devora-me as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chão manchado de negro,&lt;br /&gt;vermelho escuro&lt;br /&gt;preto nos azulejos coagulados.&lt;br /&gt;Cheiro a ferrugem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus cotos cicatrizados&lt;br /&gt;observam-te,&lt;br /&gt;enquanto pela primeira vez&lt;br /&gt;és tu a esfregar os azulejos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-1611737138515524900?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/1611737138515524900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/maos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/1611737138515524900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/1611737138515524900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/maos.html' title='Mãos'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-5062082957330969278</id><published>2010-04-14T16:37:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:37:28.251-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Cega-me os olhos</title><content type='html'>O pó das casas&lt;br /&gt;todo reunido&lt;br /&gt;no meu alpendre.&lt;br /&gt;Cega-me os olhos,&lt;br /&gt;momentaneamente.&lt;br /&gt;A idade dos problemas&lt;br /&gt;remoída dentro de tudo,&lt;br /&gt;como uma tumba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O túmulo aberto.&lt;br /&gt;Cega-me os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sujidade dos canos&lt;br /&gt;toda pegajosa.&lt;br /&gt;Corroí a minha&lt;br /&gt;canalização.&lt;br /&gt;Cega-me os olhos.&lt;br /&gt;O sol queima-os.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As silvas dentro de mim&lt;br /&gt;crescem, naturalmente&lt;br /&gt;selvagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O túmulo aberto&lt;br /&gt;cheira a mofo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cega-me os olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-5062082957330969278?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/5062082957330969278/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/cega-me-os-olhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/5062082957330969278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/5062082957330969278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/cega-me-os-olhos.html' title='Cega-me os olhos'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-1778616619676701463</id><published>2010-04-14T16:36:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:36:38.068-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Veneno</title><content type='html'>O sangue estilhaçado&lt;br /&gt;pelo chão tem&lt;br /&gt;o gosto da desgraça.&lt;br /&gt;Os ratos que já&lt;br /&gt;começam o seu festim&lt;br /&gt;não sabem disto.&lt;br /&gt;Eu digo-lhes:&lt;br /&gt;não me roam as costelas.&lt;br /&gt;Eu digo-lhes:&lt;br /&gt;esse bolor já foi meu.&lt;br /&gt;Os ratos, eles não sabem&lt;br /&gt;o veneno que eu sou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-1778616619676701463?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/1778616619676701463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/veneno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/1778616619676701463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/1778616619676701463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/veneno.html' title='Veneno'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-3775879813056983565</id><published>2010-04-14T16:35:00.002-07:00</published><updated>2010-04-14T16:36:10.032-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Velhice</title><content type='html'>O sol branqueia a terra, árida.&lt;br /&gt;O vidro já está gasto,&lt;br /&gt;já é baço.&lt;br /&gt;As linhas que definiam&lt;br /&gt;aquele quintal já estão&lt;br /&gt;ultrapassadas.&lt;br /&gt;Já há ervas daninhas&lt;br /&gt;e urtigas naquele rosto.&lt;br /&gt;As paredes daquela casa&lt;br /&gt;já são mofo.&lt;br /&gt;O sorriso da terra já morreu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-3775879813056983565?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/3775879813056983565/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/velhice.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3775879813056983565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3775879813056983565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/velhice.html' title='Velhice'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-6659580383968457660</id><published>2010-04-14T16:35:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:35:45.031-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>A Voz Dela</title><content type='html'>A voz dela&lt;br /&gt;ao afastar-se de mim&lt;br /&gt;arrasta um odor incisivo.&lt;br /&gt;O seu queixo a negar&lt;br /&gt;o brilho dos olhos.&lt;br /&gt;A lobotomia do ser&lt;br /&gt;e entender.&lt;br /&gt;A voz dela&lt;br /&gt;ao afastar-se de mim&lt;br /&gt;é o sabor do sozinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-6659580383968457660?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/6659580383968457660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/voz-dela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/6659580383968457660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/6659580383968457660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/voz-dela.html' title='A Voz Dela'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-1099403262232890125</id><published>2010-04-14T16:34:00.002-07:00</published><updated>2010-04-14T16:35:06.623-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Brilho</title><content type='html'>As coisas que brilham&lt;br /&gt;elas são intimamente falsas.&lt;br /&gt;O seu brilho,&lt;br /&gt;posto à prova dentro de mim,&lt;br /&gt;tornou-se intimo.&lt;br /&gt;As coisas que brilham&lt;br /&gt;elas são intensamente minhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-1099403262232890125?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/1099403262232890125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/brilho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/1099403262232890125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/1099403262232890125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/brilho.html' title='Brilho'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-661752123800843668</id><published>2010-04-14T16:34:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:34:31.382-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Ácido</title><content type='html'>Os meus olhos abrem-se e eu&lt;br /&gt;só ouço estática&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus ouvidos dilatam-se e eu&lt;br /&gt;vejo vermelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(as minhas pupilas dilatam-se)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mundo a arrecadar todos&lt;br /&gt;os pormenores para si&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a minha identidade mergulhada&lt;br /&gt;em ácido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a minha lingua mergulhada em ácido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma roda eterna, roda eternamente&lt;br /&gt;um assobio (ácido, pois então..)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a entropia dentro de mim cresce&lt;br /&gt;a voz das formigas torna-se pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só vejo vermelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-661752123800843668?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/661752123800843668/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/acido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/661752123800843668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/661752123800843668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/acido.html' title='Ácido'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-7081930978428435296</id><published>2010-04-14T16:33:00.003-07:00</published><updated>2010-04-14T16:33:54.210-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Tosse</title><content type='html'>Rouca mente&lt;br /&gt;tosse a tua revolta&lt;br /&gt;contra o mundo&lt;br /&gt;sê toda a merda&lt;br /&gt;que se acumula&lt;br /&gt;na garganta&lt;br /&gt;insurge-te contra&lt;br /&gt;todos os xaropes&lt;br /&gt;até&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natural mente&lt;br /&gt;a irritação ser insuportável&lt;br /&gt;e cuspires sangue&lt;br /&gt;ao tossir&lt;br /&gt;aí até comprimidos&lt;br /&gt;aceitarás&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém pode ser o catarro&lt;br /&gt;na voz do mundo&lt;br /&gt;eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infeliz mente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-7081930978428435296?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/7081930978428435296/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/tosse.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/7081930978428435296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/7081930978428435296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/tosse.html' title='Tosse'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-1443137900686766451</id><published>2010-04-14T16:33:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:33:28.137-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>O Único</title><content type='html'>Olhaste-me nos olhos e prometeste-me o mundo,&lt;br /&gt;Eu acreditei&lt;br /&gt;Agarraste-me as mãos e com os olhos disseste-me:&lt;br /&gt;"o mundo é teu"&lt;br /&gt;Beijaste-me os lábios e sussurras-te:&lt;br /&gt;"o mundo é só teu"&lt;br /&gt;E eu ainda acredito, apesar das evidências&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inútil prolongar o óbvio&lt;br /&gt;Este é o único poema de amor que eu poderia escrever.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-1443137900686766451?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/1443137900686766451/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/o-unico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/1443137900686766451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/1443137900686766451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/o-unico.html' title='O Único'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-662656317760985026</id><published>2010-04-14T16:32:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:32:18.661-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Uma Miragem</title><content type='html'>Fomos quase perfeitos&lt;br /&gt;ao tentar atingir a perfeição&lt;br /&gt;que nos assustou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua voz lamenta o inevitável&lt;br /&gt;ainda na minha cabeça.&lt;br /&gt;O meu crânio explode&lt;br /&gt;com este pensamento crónico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bases da história a desfalecerem perante o&lt;br /&gt;sofrimento necessário.&lt;br /&gt;O sal das lágrimas a solidificar-se.&lt;br /&gt;Pudesse o chão abrir-se,&lt;br /&gt;pondo fim à gravidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma miragem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-662656317760985026?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/662656317760985026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/uma-miragem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/662656317760985026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/662656317760985026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/uma-miragem.html' title='Uma Miragem'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-2600343747243775738</id><published>2010-04-14T16:31:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:31:41.166-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Amor</title><content type='html'>À medida que todas as transparências&lt;br /&gt;do meu corpo se foram revelando&lt;br /&gt;odiosas&lt;br /&gt;eu podia ouvir&lt;br /&gt;o teu tossicar&lt;br /&gt;fraco e sangrento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fomos, miraculosamente filhos&lt;br /&gt;de uma puta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fomos, canibais da carne e&lt;br /&gt;da alma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há simpatia possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chão encerado debaixo de nós&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;o chão encerrado debaixo de nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-2600343747243775738?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/2600343747243775738/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2600343747243775738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2600343747243775738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/amor.html' title='Amor'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-5149616124789984870</id><published>2010-04-14T16:30:00.002-07:00</published><updated>2010-04-14T16:31:06.068-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Miasma</title><content type='html'>As narinas do mundo encontram-se todas obstruídas, certamente&lt;br /&gt;E o fulgor dos seus filhos aumenta, sem questões ou oposição,&lt;br /&gt;Assim como este miasma que corrói o meu nariz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fosse o comportamento inconsequente&lt;br /&gt;E talvez esse cheiro a mofo e podridão&lt;br /&gt;Também já fizesse parte da minha matriz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto isso para nada interessa,&lt;br /&gt;Pois os filhos do mundo são habilidosos&lt;br /&gt;E disfarçam o que punge com odores de revolução…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respira…&lt;br /&gt;E sufocarás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-5149616124789984870?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/5149616124789984870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/miasma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/5149616124789984870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/5149616124789984870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/miasma.html' title='Miasma'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-332944659968820606</id><published>2010-04-14T16:30:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:30:21.756-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>A Máscara</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Máscara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pele é possível perceber-se todo um passado,&lt;br /&gt;Assim como no cigarro que ma queima se pode ver o fogo.&lt;br /&gt;Há algo de extremamente sensual nesta falhada tentativa de ócio&lt;br /&gt;Há algo puramente animal no fumo que me absorve&lt;br /&gt;E secretamente lisonjeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é inútil e inerte e eu também&lt;br /&gt;Penso e represento a vida de alguém&lt;br /&gt;Que me vê actuar com a dedicação&lt;br /&gt;Própria de um filho que ame a sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num segundo vejo a máscara que me cobre o rosto,&lt;br /&gt;Noutro vejo a tua cara e fico logo indisposto:&lt;br /&gt;A tua máscara já caiu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Larvas e ratos e lodo,&lt;br /&gt;E ataques do teu povo&lt;br /&gt;E fumo que já foi meu&lt;br /&gt;Dum cigarro que adoeceu…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A medo arranco a minha máscara,&lt;br /&gt;E revelo o iconoclasta&lt;br /&gt;Que sempre habitou dentro de mim…&lt;br /&gt;A tua reacção? No mínimo ensurdecedora,&lt;br /&gt;No máximo um prenuncio do fim,&lt;br /&gt;Apenas porque a verdade nunca o fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Máscara Renasce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que a tua cara se me revela heroicamente falsa&lt;br /&gt;E as tuas palavras sórdidas e impuras outra vez&lt;br /&gt;A minha agonia sobrepõe-se ao asfalto&lt;br /&gt;Que me cobre a cara&lt;br /&gt;E eu descanso&lt;br /&gt;Há algo de podre dentro de ti&lt;br /&gt;Que me tranquiliza e amansa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus dentes afiados e a tua boca&lt;br /&gt;Impregnada desse aroma a petróleo&lt;br /&gt;Que tão obedientemente adoramos&lt;br /&gt;E tão humildemente aceitamos&lt;br /&gt;Revelam-se um descanso&lt;br /&gt;Que abraço&lt;br /&gt;Com entusiasmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua máscara está posta outra vez&lt;br /&gt;Assim como a minha,&lt;br /&gt;Oh, sim, nós adoramos esta palavra,&lt;br /&gt;Este sentimento, esta campa,&lt;br /&gt;Este vazio que nos preenche&lt;br /&gt;Mais uma vez a tua cara é a minha cara&lt;br /&gt;E a nossa falsidade torna-se tão verdadeira&lt;br /&gt;Como a mentira que te contam&lt;br /&gt;E que eu ouço com ânsia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas está tudo bem…&lt;br /&gt;As larvas, os ratos e o lodo,&lt;br /&gt;(não podia durar muito tempo, nada dura.)&lt;br /&gt;Esses estão bem escondidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais Uma Vez (A Máscara)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ditaduras faraónicas&lt;br /&gt;os laços que te trouxeram&lt;br /&gt;e arrastaram até aqui&lt;br /&gt;não te poderão salvar&lt;br /&gt;não há boa vontade neste&lt;br /&gt;novo mundo que idolatras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua voz falha!&lt;br /&gt;Tu, própria, ou não&lt;br /&gt;falhas...&lt;br /&gt;é o teu dever...&lt;br /&gt;É o teu brilho...&lt;br /&gt;Tu brilhas tal e qual a tua máscara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodeando o ar,&lt;br /&gt;convicta, impenetrável&lt;br /&gt;Um sem fim de argumentos&lt;br /&gt;e mentiras nuas&lt;br /&gt;tal como tu não estarás&lt;br /&gt;NUNCA!&lt;br /&gt;não com essa tua falha&lt;br /&gt;não com esse teu brilho&lt;br /&gt;não com essa tua máscara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revelas-te nua&lt;br /&gt;(e)&lt;br /&gt;Revelas-te fraca!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-332944659968820606?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/332944659968820606/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/mascara.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/332944659968820606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/332944659968820606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/mascara.html' title='A Máscara'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-6361707058908825513</id><published>2010-04-14T16:29:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:29:44.583-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Com ambas as mãos fechadas</title><content type='html'>Com ambas as mãos fechadas&lt;br /&gt;Suporto o peso da tua voz&lt;br /&gt;Tão vazia de sentido,&lt;br /&gt;E acredito-me nesse mundo melhor&lt;br /&gt;Enquanto fujo dele&lt;br /&gt;E de ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possivelmente o ardor que sinto&lt;br /&gt;Em todo este meu corpo&lt;br /&gt;Advém da sensação nefasta&lt;br /&gt;Que sinto quando escuto&lt;br /&gt;O timbre da multidão&lt;br /&gt;E o silêncio do coração;&lt;br /&gt;Parece-me claramente&lt;br /&gt;Que parou de bater&lt;br /&gt;Penso que se recusa:&lt;br /&gt;É natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto ventos gélidos e a sensação&lt;br /&gt;De que a tua mão me persegue&lt;br /&gt;Por entre&lt;br /&gt;Animais e anormais&lt;br /&gt;Que conheço todos os dias:&lt;br /&gt;Não reconheço uma única cara&lt;br /&gt;Não decoro o mais inútil nome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engraçado (e algo irónico, penso)&lt;br /&gt;É que fundamentalmente&lt;br /&gt;Não vejo sentido na degustação&lt;br /&gt;Na normalização que me oferecem&lt;br /&gt;E aceito-a com enorme agrado,&lt;br /&gt;Mas tu certamente o compreendes&lt;br /&gt;Mesmo que finjas que não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não o entendo, tu também não&lt;br /&gt;Apenas o sabemos.&lt;br /&gt;Ainda bem, ninguém nos compreende.&lt;br /&gt;Abraça-me só&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-6361707058908825513?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/6361707058908825513/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/com-ambas-as-maos-fechadas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/6361707058908825513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/6361707058908825513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/com-ambas-as-maos-fechadas.html' title='Com ambas as mãos fechadas'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-4073268801333244898</id><published>2010-04-14T16:28:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T16:29:22.924-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Feridas</title><content type='html'>Escondo nestes silêncios incómodos&lt;br /&gt;Palavras que nunca te direi&lt;br /&gt;Nunca as direi a ninguém&lt;br /&gt;Quero que me pertençam&lt;br /&gt;Só a mim, quero possui-las&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou, de forma animal&lt;br /&gt;um híbrido entro o orgânico&lt;br /&gt;E o aço&lt;br /&gt;Sou e serei para sempre&lt;br /&gt;Dono do meu próprio espaço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há lugar a falsas contemplações&lt;br /&gt;Não há espaço para o medo da morte&lt;br /&gt;Dentro de mim&lt;br /&gt;Preservo as minhas opiniões&lt;br /&gt;Nunca respondo que não&lt;br /&gt;Quando penso que sim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um cemitério de calúnias&lt;br /&gt;Avanço destemidamente por túmulos&lt;br /&gt;Que desde cedo soube que iria percorrer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esconde a cara meu amor,&lt;br /&gt;E não chores, eu consigo perceber&lt;br /&gt;És uma vaga ideia&lt;br /&gt;És apenas preconceito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As feridas que carrego neste cesto&lt;br /&gt;São todas para oferecer&lt;br /&gt;A quem as precise mais do que eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ofereces-te,&lt;br /&gt;Revelas-te&lt;br /&gt;Cadavérica, vã, baça&lt;br /&gt;Assusta-me a tua noção de ser&lt;br /&gt;És reflexo dum vazio imenso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As feridas que tens para me oferecer já estão gastas.&lt;br /&gt;Devolvo-tas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-4073268801333244898?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/4073268801333244898/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/feridas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4073268801333244898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4073268801333244898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/feridas.html' title='Feridas'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-4848525641832617537</id><published>2010-04-14T16:24:00.000-07:00</published><updated>2010-04-14T16:26:44.690-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'></title><content type='html'>Queria agarrar-te a mão e gritar-te&lt;br /&gt;todas as palavras que desconheces&lt;br /&gt;todo o ódio que precisas de adquirir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás, estão, estamos&lt;br /&gt;demasiado presos a nada&lt;br /&gt;por correntes&lt;br /&gt;(de vento?)&lt;br /&gt;invisíveis e quebráveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mentira é uma mentira&lt;br /&gt;Até à sua morte&lt;br /&gt;Um segredo é um segredo&lt;br /&gt;e o meu é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me libertasse do que me prende,&lt;br /&gt;será que manteria a gravidade?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-4848525641832617537?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/4848525641832617537/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/queria-agarrar-te-mao-e-gritar-te-todas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4848525641832617537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4848525641832617537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/04/queria-agarrar-te-mao-e-gritar-te-todas.html' title=''/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-4714143793167178931</id><published>2010-03-23T16:09:00.000-07:00</published><updated>2010-03-23T16:29:00.796-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>A cidade à tarde</title><content type='html'>A cidade à tarde de phones nos ouvidos&lt;br /&gt;a realidade engolida pela música&lt;br /&gt;dentro de um autocarro&lt;br /&gt;que cheira a velhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol torna tudo laranja sujo&lt;br /&gt;nesta cidade de metal&lt;br /&gt;cheia de aparelhos e engrenagens&lt;br /&gt;ruas como puzzles prédios como falos&lt;br /&gt;erguem-se guiam-me consomem-me educam-me&lt;br /&gt;as pessoas falam de mim e eu de phones nos ouvidos&lt;br /&gt;a cabeça abana com a cadência motora que abana&lt;br /&gt;a decadência humana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passeios cheios de merda e pássaros&lt;br /&gt;cheira a jardim cheira a relva seca&lt;br /&gt;cheira a rio e esgoto&lt;br /&gt;as pessoas formigas braços dados em comunhão&lt;br /&gt;bicicletas rodas armas tecnologia em mim&lt;br /&gt;somos todos um robô, olhos e cabeça estáticos&lt;br /&gt;pensa por mim sinal diz-me quem sou publicidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade à tarde todo o seu esplendor&lt;br /&gt;fatos de treino e fatos às linhas&lt;br /&gt;armanis e guccis passam por mim&lt;br /&gt;e ardidas e todos se riem&lt;br /&gt;um lugar completo, quentes por dentro&lt;br /&gt;sabem quem são por hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os prédios crescendo e crescendo&lt;br /&gt;erecções de putos em direcção ao céu&lt;br /&gt;casas e casas e casas e casas e casas vazias&lt;br /&gt;e este aqui a dormir na rua, vinho no bucho&lt;br /&gt;cavalo na cabeça.&lt;br /&gt;Os prédios em pé os carros à porta os seus testículos&lt;br /&gt;a chuva escorre pelas fachadas, quase como se eles se viessem&lt;br /&gt;ejaculação precoce chuva ácida.&lt;br /&gt;Estes prédios estão prontos para nos foder,&lt;br /&gt;os seus tijolos veneno em nós, feito por nós&lt;br /&gt;e a sepultura mais alta e mais alta.&lt;br /&gt;E maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade à tarde e eu de phones e as pessoas falam&lt;br /&gt;de mim e a música fala delas e de mim.&lt;br /&gt;Os pés ardem-me, as feridas da noite anterior infectam.&lt;br /&gt;É de tarde e eu ando por aqui, não tenho para onde ir.&lt;br /&gt;O primeiro prédio cai em mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-4714143793167178931?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/4714143793167178931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/cidade-tarde.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4714143793167178931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4714143793167178931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/cidade-tarde.html' title='A cidade à tarde'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-2217922617762233925</id><published>2010-03-23T16:07:00.001-07:00</published><updated>2010-03-23T16:08:00.890-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>A cidade à noite</title><content type='html'>A cidade à noite violada&lt;br /&gt;milhares de pernas penetrando-a&lt;br /&gt;pés cortados pelos estilhaços de copos&lt;br /&gt;vão manchando a sua face da cor sangrenta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um movimento circular, as pessoas&lt;br /&gt;em queda mais uma vez, os seus olhos&lt;br /&gt;pontos de encontro de miríades de luxúria&lt;br /&gt;as suas bocas a porta da saída, ainda salivando por mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade à noite é violada&lt;br /&gt;a sua inocência mancha o chão de vermelho&lt;br /&gt;o seu choro uma sirene e ninguém a ouve&lt;br /&gt;sinto o cheiro do seu vómito&lt;br /&gt;o sabor da sua agonia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas violadas pelo éter&lt;br /&gt;os carros as casas as árvores os cães&lt;br /&gt;tudo misturado e desfocado e maltratado&lt;br /&gt;a pequena e frágil cidade violada,&lt;br /&gt;o seu corpo deitado à minha frente&lt;br /&gt;à minha disposição e eu vomito&lt;br /&gt;quando vejo a sua cara desfigurada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-2217922617762233925?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/2217922617762233925/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/cidade-noite.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2217922617762233925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2217922617762233925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/cidade-noite.html' title='A cidade à noite'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-4478434484670106898</id><published>2010-03-23T15:59:00.000-07:00</published><updated>2010-03-23T16:06:37.451-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'></title><content type='html'>Se à noite me vires e eu não puder responder&lt;br /&gt;se a minha língua estiver presa e os meus olhos&lt;br /&gt;mortos&lt;br /&gt;lembra-te do dia de outono que eu sou&lt;br /&gt;do inverno que ainda vou ser&lt;br /&gt;e das flores que nascem aos molhos&lt;br /&gt;na nossa primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se à noite suares e eu não te agarrar&lt;br /&gt;se não beber as gotas da tua ânsia&lt;br /&gt;lembra-te que embora o teu doce desespero&lt;br /&gt;saiba a algas e mar&lt;br /&gt;o meu leve corpo é feito de ganância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fui feito assim. à imagem de deus.&lt;br /&gt;Se à noite me vires na rua, talvez seja melhor&lt;br /&gt;fechares os olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-4478434484670106898?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/4478434484670106898/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/se-noite-me-vires-e-eu-nao-puder.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4478434484670106898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4478434484670106898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/se-noite-me-vires-e-eu-nao-puder.html' title=''/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-942719281040345814</id><published>2010-03-21T21:32:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T21:41:28.355-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Não Sei</title><content type='html'>Não sei se não tenho medo de ti hoje&lt;br /&gt;enquanto te vais embora a dizer adeus&lt;br /&gt;enquanto a tua cara se afasta&lt;br /&gt;e uma memória do teu sorriso me diz&lt;br /&gt;que já não existes mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se não tenho medo de ti hoje&lt;br /&gt;enquanto discutimos e as nossas vozes&lt;br /&gt;são palavras de quem se ama e tem medo&lt;br /&gt;mesmo sem o saber&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se não tenho medo de ti hoje&lt;br /&gt;enquanto fumo um cigarro e te vejo a dormir&lt;br /&gt;e te beijo a dormir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se não tenho medo de ti hoje&lt;br /&gt;enquanto somos felizes e nos tocamos&lt;br /&gt;mesmo no sítio certo, carícias tão intensas&lt;br /&gt;que só podem ser malignas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se não tenho medo de ti hoje&lt;br /&gt;enquanto conversamos sobre coisas pequenas&lt;br /&gt;e sem importância, mas que são tudo para nós&lt;br /&gt;porque até as palavras pequenas são gigantes&lt;br /&gt;quando falamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se não tenho medo de ti ontem&lt;br /&gt;enquanto caminhas na minha direcção&lt;br /&gt;um sorriso ténue no rosto e sabemos que o certo&lt;br /&gt;está tão errado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-942719281040345814?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/942719281040345814/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/nao-sei.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/942719281040345814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/942719281040345814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/nao-sei.html' title='Não Sei'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-4577216522947169669</id><published>2010-03-21T21:10:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T21:21:08.548-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>A Lavadeira</title><content type='html'>As lavadeiras no rio&lt;br /&gt;pele molhada pelo tempo&lt;br /&gt;elas riem-se alto&lt;br /&gt;a sua voz ecoa nos meus ouvidos&lt;br /&gt;a pele molhada e os seios molhados&lt;br /&gt;mamilos erectos e elas riem alto&lt;br /&gt;ahahahahahahahah&lt;br /&gt;fazem elas, dentro do rio&lt;br /&gt;sem saberem da existência do mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A roupa seca nas rochas&lt;br /&gt;o sol forte queima e mancha&lt;br /&gt;os tecidos e a pele&lt;br /&gt;a idade cansa&lt;br /&gt;mas esta velha lavadeira&lt;br /&gt;ri e dança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água suja-se&lt;br /&gt;o cristal é agora castanho&lt;br /&gt;cheiras a sabão&lt;br /&gt;diz a rocha à roupa&lt;br /&gt;cheiras a sol&lt;br /&gt;diz o homem à lavadeira&lt;br /&gt;cheiras a mar&lt;br /&gt;diz ele sem conhecer&lt;br /&gt;o cheiro do mar&lt;br /&gt;e são quase felizes e riem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água do rio corre eternamente&lt;br /&gt;muito depois do sabão e sujidade&lt;br /&gt;desaparecer&lt;br /&gt;muito depois da lavadeira&lt;br /&gt;morrer&lt;br /&gt;corre um animal em fúria&lt;br /&gt;até penetrar no mar&lt;br /&gt;bebendo todo o seu sal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lavadeira não sabe que vai&lt;br /&gt;morrer&lt;br /&gt;nem sabe que o mar&lt;br /&gt;existe e sorri&lt;br /&gt;os mamilos erectos para a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-4577216522947169669?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/4577216522947169669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/as-lavadeiras-no-rio-pele-molhada-pelo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4577216522947169669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4577216522947169669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/as-lavadeiras-no-rio-pele-molhada-pelo.html' title='A Lavadeira'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-8049458169855707096</id><published>2010-03-21T05:38:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T05:40:54.008-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>Jane Doe</title><content type='html'>Esta rapariga deitada à minha frente não tem nome. Encontraram-na morta, no meio de uma floresta. Completamente nua e, como mais tarde se comprovou, violada. Vejo a sua cara, tão real perante mim e pergunto-me porque não terá ela direito a um nome. Faz agora parte de um todo, perdeu a sua identidade. A sua morte e a morte do seu nome tornou-a num ser abstracto, apesar de qualquer um a poder ver, qualquer um poder tocar na sua carne roxa e congelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ser à minha frente não passa agora de alimento para insectos, faz parte de todo um grande plano universal, esquecida para sempre. A sua existência de tão grandiosa que é será para sempre ignorada, o seu nome desaparecido nas correntes do tempo não será mais do que uma memória de quem a conheceu e também se transformou em memória. Todos os nomes morrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que se esta não-nada que eu vejo tivesse tido outro nome poderia ter tido outra vida? Poderia ainda estar viva? O que é um nome, senão uma palavra que podia ter sido outra qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivesse eu outro nome e estaria a escrever isto? Violaria eu esta Jane Doe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-8049458169855707096?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/8049458169855707096/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/jane-doe.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8049458169855707096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8049458169855707096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/jane-doe.html' title='Jane Doe'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-397058709517915166</id><published>2010-03-21T05:37:00.001-07:00</published><updated>2010-03-21T05:37:43.722-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>Cinema</title><content type='html'>O nosso amor cheira a cinema velho, somos uma bobina a rodar no projector, preto e branco sobre preto e branco. O fumo de um cigarro destaca-se na tela enquanto tu te vais embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso amor sabe a cinema negro, tão cheio de falsa ironia e regado por pretensão. Tão intenso que até mete nojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso amor é um filme de série B, com efeitos especiais tão fracos quanto as nossas representações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso amor não é uma comédia romântica e eu não vou ter contigo à última da hora ao aeroporto, mesmo antes do teu avião partir. O preço do bilhete não inclui um final feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo-te na tela, a preto e branco. A imagem está desfocada. O amor é tão mais verdadeiro no cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua cara desaparece enquanto ouço a fita arder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-397058709517915166?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/397058709517915166/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/cinema.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/397058709517915166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/397058709517915166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/cinema.html' title='Cinema'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-2952130986019110801</id><published>2010-03-21T05:36:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T05:37:16.999-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>Pegando fogo aos gigantes adormecidos</title><content type='html'>Setting Fire to Sleeping Giants - The Dillinger Escape Plan&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo os gigantes adormecidos, nas suas cavernas protegidas de todo o tipo de desastres e intempéries, imunes à destruição que os seus gigantescos pés semeiam por onde quer que passam. A dormirem de papo cheio, deliciados com o decorrer aprazível da vida, o seu corpo o símbolo maior da opressão que instauram, insidiosamente. Nestas alturas sinto o piromaníaco dentro de mim, quero pegar-lhes fogo a eles e às mulheres deles e aos filhos deles e às cavernas deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raça nojenta, a dos gigantes. São uma sombra de uma sombra, se comparados a nós todos, seus escravos. Nós os anões, que trabalhamos noite e dia para os sustentar. Pensamos por eles, criamos-lhes ferramentas apenas para as vermos ser roubadas. Como se fossem invenções desta raça tão estúpida e mesquinha e gananciosa. QUERO FOGO! Quero vê-los arder, implorar por perdão, enquanto a carne imolada caí no chão, ardendo até se transformar em cinza. De maneira a não deixar memória destes parasitas que, com o seu voraz apetite, decidiram comer o mundo e beber a sua beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero uma faca e dar-lhes uma razão para se lembrarem de mim quando se olham ao espelho, bem no meio dos olhos. E mais outra razão e outra e outra e outra. Até o sangue secar e os seus olhos estarem eternamente abertos, num esgar de dor e sofrimento. E incompreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso derrota-los todos, nem o posso fazer sozinho. Mas acredito que juntos podemos fazer a diferença, podemos destruir o que não interessa. Tragam o caos para a minha mesa e juntos seremos uma infecção! Atacaremos por dentro e por fora. Com fogo e espadas e pedras e mãos. Rosnaremos, mostrando aquilo de que somos feitos! A minha voz e a tua voz e a voz dele e dela não serão distintas! Deitemos abaixo o status-quo, cada gigante corporação será cada vez mais pequena e fraca do que a outra, até todas arderem da face da terra, cada pedaço de cinza um símbolo perdido da sua insignificância, da qual ninguém se lembrará. A união não faz a força, mas vence-a. A nossa voz, única, um lança-chamas, pegando fogo aos gigantes adormecidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-2952130986019110801?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/2952130986019110801/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/pegando-fogo-aos-gigantes-adormecidos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2952130986019110801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2952130986019110801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/pegando-fogo-aos-gigantes-adormecidos.html' title='Pegando fogo aos gigantes adormecidos'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-8168117333627169711</id><published>2010-03-21T05:32:00.001-07:00</published><updated>2010-03-21T05:32:57.481-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>Homem-Santo</title><content type='html'>É difícil dar a benção a alguém, sem saber que tipo de infâmias já cometeu. Eu digo: deus nosso senhor te abençoe, e juro que as vezes sinto o colarinho a tentar sufocar-me, como se fosse eu o culpado de todo o mal no mundo, como se ao abençoar quem não deve ser abençoado estivesse a compactuar com os seus pecados. Sempre fui um homem devoto a deus e à santa igreja. Jesus é meu irmão e tu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que eu posso fazer quando no confessionário os crentes me contam o que não contam a mais ninguém, na esperança de receberem a redenção divina em troca de uns avé-marias e pais-nossos? Só posso acreditar que aquilo são de facto os seus piores pecados, e satisfazê-los, dando-lhes 20 avé-marias por aborto e 50 pais-nossos por violações ou homicídios. Deus nosso senhor te perdoa meu filho, pois é essa a tua vontade. Jesus morreu pelos teus pecados. E pelos meus também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes quando estou a dar a missa sinto o cheiro a sexo e sujidade e podridão que emana das pessoas, e sinto o chão debaixo de mim abrir-se e tenho que rezar silenciosamente enquanto falo sobre a religião que tão piamente me acredito. Às vezes tenho medo de vomitar no altar, quando ouço os murmúrios que só uma igreja cheia de rezas pode fazer. Vejo caras deformadas pedir ajuda quando não a merecem. Aos olhos de deus somos todos iguais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando apanho um ou outro sozinho a rezar, um que já a mim se tenha confessado, dou-lhe uma pancada na cabeça com o crucifixo e arrasto-o para os interiores da igreja. O único luxo a que me dou é colecionar objectos utilizados pelos inquisidores. Todos me pedem a benção e todos a recebem. Sempre fui um homem de deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-8168117333627169711?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/8168117333627169711/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/homem-santo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8168117333627169711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8168117333627169711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/homem-santo.html' title='Homem-Santo'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-8310543189371600627</id><published>2010-03-21T05:31:00.003-07:00</published><updated>2010-03-21T05:31:51.390-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Felicidade</title><content type='html'>Hoje o dia é mais bonito&lt;br /&gt;do que os outros dias todos.&lt;br /&gt;Hoje lembro-me de como é belo&lt;br /&gt;ver-te sorrir, mesmo sabendo&lt;br /&gt;que os sorrisos por norma são&lt;br /&gt;efémeros.&lt;br /&gt;Não interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só o brilho nos teus olhos&lt;br /&gt;interessa.&lt;br /&gt;Só interessa este momento.&lt;br /&gt;Aqui. Agora.&lt;br /&gt;Por agora somos um.&lt;br /&gt;Um momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri mais uma vez,&lt;br /&gt;só para o dia ser bonito.&lt;br /&gt;Às vezes também podemos ser felizes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-8310543189371600627?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/8310543189371600627/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/felicidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8310543189371600627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8310543189371600627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/felicidade.html' title='Felicidade'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-3867943355173587097</id><published>2010-03-21T05:31:00.001-07:00</published><updated>2010-03-21T05:32:23.335-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>A Pedra</title><content type='html'>Ao escavar a terra, com as mãos desnudas, encontrei uma pedra soterrada por baixo de outra, já praticamente desfeita. O prateado brilhante que um dia fora era agora apenas pó. Tive pena desta pedra e perguntei-lhe o que tinha acontecido, porque se deixara esmagar pelo peso de uma sua semelhante. Ela respondeu-me que, apesar de mais velha e sábia, era mais pequena e fraca do que a pedra que a desfizera. Ela disse: sou do tipo de pedra que se desfaz. E ainda: é mentira quando te dizem que a inteligência pode vencer a força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para as mãos e vi terra nas minhas unhas, lixo castanho que agora me pertencia. Senti o suor a escorrer-me pelo rosto. Agarrei na pedra e desfiz-la completamente. Vi o pó desaparecer, voando para longe. Que estúpida ela foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje não sei porque estava a escavar a terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-3867943355173587097?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/3867943355173587097/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/pedra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3867943355173587097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3867943355173587097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/pedra.html' title='A Pedra'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-3701951280823211162</id><published>2010-03-21T05:29:00.001-07:00</published><updated>2010-03-21T05:30:26.237-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>Júlia</title><content type='html'>Fechei os olhos e vi-te todas as vezes que te vi, pela primeira vez. Fiz isto no dia em que tu fechaste os teus, para nunca mais os abrires. Eu era um e tu eras uma, eramos dois, até nos conhecermos. Depois eramos só um, outra vez.&lt;br /&gt;Fecho os olhos e vejo a primeira vez que te vi, há cinquenta anos, e juro que bastava o olhar para perceber como a tua pele era sedosa. Bastou um olhar para saber que essa seda um dia roçaria na minha pele, áspera, fazendo ambas a simbiose perfeita. Vejo aquele teu sorriso envergonhado e percebo agora que não era vergonha, era certeza. Vejo o azul dos teus olhos e desejo beijá-lo, só mais uma vez.&lt;br /&gt;Fecho os olhos e vejo a primeira vez que fizemos amor, meu amor. Depois do nosso casamento. A tua beleza foi a calma que me fez dizer-te: tem calma. E eu dentro de ti e tu dentro de mim. Um só já muito depois de o sermos.&lt;br /&gt;Fecho os olhos e vejo a última vez que te vi e beijo o teu rosto enrugado uma última vez e vejo uma lágrima cair-te na face, uma última parte minha em ti. Sempre disseste que querias ir antes de mim, que não saberias o que fazer se algo me acontecesse. Eu também não sei Júlia. Quase te ouço dizer: tens os miúdos. Mas os miúdos já não são miúdos e têm os seus próprios miúdos. E eu só tenho é medo e saudade.&lt;br /&gt;Fechei os olhos pela última vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-3701951280823211162?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/3701951280823211162/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/julia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3701951280823211162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3701951280823211162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/julia.html' title='Júlia'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-7026646555309033111</id><published>2010-03-21T05:28:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T05:29:00.898-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>As tuas mãos</title><content type='html'>As tuas mãos, as tuas mãos tão perfeitas, agarram em mim e eu beijo-as. E lembro-me de quando ainda era uma miúda e me apaixonei por elas. Recordo com uma lágrima no canto do olho esses momentos em que me seguravas, e eu não passava de uma cachopa, tão pequenina, tão frágil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as tuas mãos, maciças, contrastavam com a minha fragilidade. Mostravam como eu era pouco mais do que nada. Até me sentia humilhada ao olhar para elas. Humilhada por elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foram poucas as vezes em que parecia vidrada ao olhá-las, como se fosse a única parte de ti que eu podia amar. Hipnotizada pela força e segurança que delas emanava. Desejando possuir essas mãos e essa força. Se queres que seja sincera nem me lembrava bem da tua cara, até há pouco. Até te encontrar na rua e todas as memórias me violarem a mente, o corpo, as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu corpo, violentado pelas memórias, agora é maior. Já não sucumbe perante os teus desejos de animal porco, papá. As minhas mãos são maiores agora e tu estás velho. As minhas mãos são maiores agora, são como as tuas, isso temos em comum. Tenho mãos de homem, dizem-me às vezes. Eu sempre soube que estas mãos eram as tuas, e que a ti haviam de voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas mãos são maiores agora, não as sentes? À volta do teu pescoço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tuas mãos, as tuas mãos tão perfeitas, largam-me enfim, desfalecem. E eu olho-te nos olhos pela primeira vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-7026646555309033111?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/7026646555309033111/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/as-tuas-maos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/7026646555309033111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/7026646555309033111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/as-tuas-maos.html' title='As tuas mãos'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-4870876385031875055</id><published>2010-03-21T05:27:00.001-07:00</published><updated>2010-03-21T05:27:27.921-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>Um Olhar</title><content type='html'>O outro dia estava a jogar computador e reparei numa coisa... ...sim, eu sei que não jogas essas parvoíces, mas ouve-me. O jogo que eu estava a jogar era recente, daqueles em que os "bonecos" se assemelham perigosamente a pessoas reais... ...tem calma, já lá chego. O que eu reparei foi que apesar da sua extrema semelhança com humanos, apesar dos seus rostos diferentes, das roupas que vestem, os seus olhos não tinham brilho, eram negros, imóveis. Havia movimento naqueles corpos, os rostos tinham expressão, mas os olhos... os olhos estavam mortos, amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabes o que aconteceu de mais estranho?.. ...não me olhes assim, como se eu estivesse a divagar. Já vais perceber. O que eu te estava a dizer amor, foi que aconteceu algo muito estranho. Vi-me a mim no jogo. Sim, é verdade. E a ti també... ...espera, não fales agora. Não olhes para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava-mos os dois lá, ou pelo menos duas figuras iguais a nós. Neste jogo de acção. Na altura em que os protagonistas percebem que se amam. E nós lá, com os nossos olhos. Negros. Baços. Imóveis. A dizer coisas bonitas como: amo-te. E: quero-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um sorriso na tua cara. E um movimento da minha mão, alcançando a tua face, tão perfeita. Mas os olhos... os olhos estavam mortos, amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não olhes para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-4870876385031875055?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/4870876385031875055/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/um-olhar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4870876385031875055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4870876385031875055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/um-olhar.html' title='Um Olhar'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-6504718407608273361</id><published>2010-03-21T05:26:00.001-07:00</published><updated>2010-03-21T05:28:07.713-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>Condenado</title><content type='html'>Hoje é o meu último dia de vida. Digo isto não por ter tido uma premonição, ou por algum espirita ou bruxo mo ter dito, mas porque fui condenado à morte. Depois de 20 anos de recursos desisti. Aceitei a minha morte, apesar de continuar a negar aquilo de que me acusam. Eu não violei aquelas 6 raparigas.&lt;br /&gt;Perguntam-me se eu quero um padre, para me confessar e pedir a extrema-unção. Mas o que é que um padre vai fazer, quando o veneno estiver a fluir nas minhas veias, quando a minha respiração diminuir lentamente, aos poucos, até os meus olhos se fecharem e eu dar o meu último suspiro? O que é que um padre pode fazer nessa altura? Nada. Não quero padre nenhum. Quero morrer junto com os meus pecados. Leva-los comigo para a cova.&lt;br /&gt;O segundo luxo que me dão é escolher a minha última refeição. O guarda risse quando eu respondo: qualquer coisa, desde que feita pela minha mãe. Este guarda chama-se William. O William simpatiza comigo, já trabalha no corredor da morte há pelo menos 13 anos. Mas apesar de simpatizar comigo, acha que fui eu que matei aquelas 6 raparigas. O que eu não consigo perceber é como é que ele pode gostar um pouco de mim, se tem a convicção de que sou culpado. O que eu não consigo compreender é como é que alguém pode ter direito a luxos, depois de ser declarado culpado de violar, matar, estripar e desmembrar 6 raparigas de onze anos. Mas o que eu não consigo compreender de maneira alguma é como é que alguém consegue manter alguma coisa no estômago sabendo que vai morrer dentro de poucas horas. Vomito tudo cá para fora.&lt;br /&gt;Faltam 15 minutos para a minha morte e estou a escrever isto, como se de um diário se tratasse. Não, melhor, uma carta. Não sei é para quem, mas sei que hão-de encontra-la.&lt;br /&gt;O que eu vos quero mesmo dizer no meio disto tudo é algo que nunca disse a ninguém. Não fui eu que matei aquelas 6 raparigas. Não as 6. Apenas 5. A última foi uma cópia, imitada por algum amador. Não tinha nem a minha arte nem o meu engenho. Como podem ver nunca menti, disso não me podem acusar. Sou um homem com princípios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-6504718407608273361?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/6504718407608273361/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/condenado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/6504718407608273361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/6504718407608273361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/condenado.html' title='Condenado'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-8017506342013261220</id><published>2010-03-21T05:25:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T05:26:09.709-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Prosa Mata'/><title type='text'>O homem da boa-noite</title><content type='html'>Todas as noites o velho vinha desejar boa noite, pelo menos três vezes. Aquele centro comercial era a sua segunda casa, e as pessoas que lá trabalhavam a sua única família. Ninguém sabia verdadeiramente que tipo de doença mental ele tinha, mas alguma havia de ser. O atraso na fala e no raciocínio eram mais do que evidentes. No entanto, não havia quem não o cumprimenta-se, quando ele, pontualmente, visitava cada loja e dizia: buoa nuote vizinho. Era assim que era carinhosamente tratado, por vizinho.&lt;br /&gt;Todos na cidade o conheciam, pois várias vezes era encontrado a pedir boleia para voltar para casa, do outro lado da ponte. Muitos donos de cafés e restaurantes davam-lhe comida em troca de pequenos trabalhos, como despejar o lixo ou ajudar a arrumar a esplanada. E ele fazia-o, satisfeito, não só por saber que assim tinha uma refeição garantida, mas também pelo prazer do convívio e pela vontade de se sentir útil. E depois partia, para junto das estradas ao pé do rio, com um saco de frango assado ou um pacote cheio de pastéis, a pedir boleia aos carros que passavam.&lt;br /&gt;Quando não conseguia boleia, tinha que fazer o caminho de volta para casa a pé, e por mais de uma vez foi espancado por bandos que achavam divertido fazer sofrer esta pessoa, que não queria mais do que desejar boas noites às pessoas. Mas isso não o fazia desistir. Lembro-me de falar com ele, à porta da loja onde trabalho e ver os hematomas na sua cara, o sangue coagulado, roxo. Os cantos da boca cheios de saliva seca. Mas mesmo assim com um sorriso na cara. A dizer: buoa nuote vizinho. Shá shó falta uma horrinha.&lt;br /&gt;Até que um dia a ponte fechou para obras. E eu nunca mais o vi, nunca mais soube nada dele. Durante quatro anos este homem veio-me desejar às boas noites religiosamente. Não faltou um dia. Indiferente ao tempo, aos espancamentos, ao ter que andar quilómetros para voltar a casa. E eu só nesse dia é que me apercebi que não sabia o nome dele. Perguntei aos meus colegas mas nenhum sabia. Fui a outras lojas e falei com os funcionários, e quase todos me responderam o mesmo: não sabiam. Apenas um me respondeu de forma diferente: oh, é o vizinho. E era.&lt;br /&gt;Nunca mais o vi, nem depois da reabertura da ponte.Tenho para mim que o dia em que a ponte fechou foi o dia em que o vizinho morreu. Paz à sua alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-8017506342013261220?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/8017506342013261220/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/o-homem-da-boa-noite.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8017506342013261220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8017506342013261220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/o-homem-da-boa-noite.html' title='O homem da boa-noite'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-3351995176127407740</id><published>2010-03-20T22:06:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T03:29:30.376-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'></title><content type='html'>A rapariga quando viu&lt;br /&gt;a foto do homem&lt;br /&gt;a face dele preta e branca&lt;br /&gt;o escuro dos olhos ainda&lt;br /&gt;mais escuro do que na realidade&lt;br /&gt;era&lt;br /&gt;sentiu-se indisposta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela viu a continuidade&lt;br /&gt;a relação não sanguinária&lt;br /&gt;não hereditária&lt;br /&gt;viu a foto, um espelho&lt;br /&gt;um espelho da sua alma&lt;br /&gt;e atirou a foto ao chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A face do homem preta e branca&lt;br /&gt;e vermelha também&lt;br /&gt;coberta de estilhaços&lt;br /&gt;os vidros partidos poeira no ar&lt;br /&gt;os cortes novos e frescos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem disse-lhe:&lt;br /&gt;porque me matas&lt;br /&gt;matas-te a ti&lt;br /&gt;olhos nos olhos&lt;br /&gt;lágrimas nas lágrimas&lt;br /&gt;ela olhou-o e cuspiu&lt;br /&gt;e a sua saliva era fogo&lt;br /&gt;que ardia&lt;br /&gt;o papel contorcendo-se&lt;br /&gt;e até os vidros ardiam&lt;br /&gt;mas os olhos&lt;br /&gt;os olhos estavam lá&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-3351995176127407740?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/3351995176127407740/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/rapariga-quando-viu-foto-do-homem-face.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3351995176127407740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3351995176127407740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/rapariga-quando-viu-foto-do-homem-face.html' title=''/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-3544786906009622517</id><published>2010-03-20T09:54:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T03:29:56.879-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>As larvas e os ratos</title><content type='html'>No meio de larvas e ratos&lt;br /&gt;o homem sentia-se prisioneiro&lt;br /&gt;na sua própria alma&lt;br /&gt;sentia as larvas e os ratos&lt;br /&gt;presos dentro de si&lt;br /&gt;e chorava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu corpo uma mera&lt;br /&gt;transparência projectava&lt;br /&gt;sombras na parede,&lt;br /&gt;sombras de uma estória&lt;br /&gt;inacabada&lt;br /&gt;sombras que ele tentava&lt;br /&gt;apagar, desligando a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As larvas e os ratos&lt;br /&gt;banqueteando-se no seu corpo&lt;br /&gt;um festim de podridão&lt;br /&gt;feridas abertas e pustulentas&lt;br /&gt;e os olhos do homem postos&lt;br /&gt;no céu num último acto de fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Perdoa-me senhor"&lt;br /&gt;berrou ele ao céu brilhante&lt;br /&gt;e azul e cinzento e num reflexo&lt;br /&gt;viu a sua face leprosa,&lt;br /&gt;carne virulenta caindo direita ao céu,&lt;br /&gt;num fluxo contínuo de vermelho e roxo.&lt;br /&gt;E a linha recta que se criou,&lt;br /&gt;espaço aberto no tempo que não havia,&lt;br /&gt;que não lhe restava,&lt;br /&gt;proporcionou-lhe um último vislumbre,&lt;br /&gt;antes de os olhos se fecharem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele viu e olhou bem o espelho,&lt;br /&gt;junto ao seu torso já espezinhado,&lt;br /&gt;olhou o espelho e viu um resquício&lt;br /&gt;do que já havia sido um resquício&lt;br /&gt;de quem fora e as lágrimas secaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ele era as larvas e os ratos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-3544786906009622517?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/3544786906009622517/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/as-larvas-e-os-ratos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3544786906009622517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3544786906009622517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/03/as-larvas-e-os-ratos.html' title='As larvas e os ratos'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-2666785509500417670</id><published>2010-01-24T19:02:00.000-08:00</published><updated>2010-03-21T04:36:10.378-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Maçãs</title><content type='html'>Observem o fim a festejar&lt;br /&gt;Há e haverá sempre tantas carcaças&lt;br /&gt;por onde escolher&lt;br /&gt;Ouçam todo o peso&lt;br /&gt;a inclinar o vosso corpo&lt;br /&gt;não é dissonante o&lt;br /&gt;fato que vestes o&lt;br /&gt;facto que te mata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi gargantas a implorar&lt;br /&gt;por liberdade&lt;br /&gt;vi bocas cheias de sede&lt;br /&gt;rodeadas de água&lt;br /&gt;vi saliva seca&lt;br /&gt;a apodrecer na terra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Faz-me acreditar que serei&lt;br /&gt;rico e belo e eu serei&lt;br /&gt;teu escravo para sempre”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi almas a gritar&lt;br /&gt;por ignorância&lt;br /&gt;vi valas cheias de corpos&lt;br /&gt;sem cérebro&lt;br /&gt;vi uma maçã podre&lt;br /&gt;a contaminar todas as outras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu só te quero ver morto,&lt;br /&gt;a um nível essencial,&lt;br /&gt;a um nível necessário”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou querer palavras&lt;br /&gt;na minha campa&lt;br /&gt;nem sequer um nome&lt;br /&gt;Só lá quero o martelar&lt;br /&gt;dos meus passos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu só te quero ver a morrer, sem palavras”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os heróis do mundo,&lt;br /&gt;os verdadeiros,&lt;br /&gt;eles não têm cara.&lt;br /&gt;As boas maçãs são&lt;br /&gt;as que te sabem de forma diferente.&lt;br /&gt;Há maçãs que só te sabem.&lt;br /&gt;Há maçãs que só te maçam.&lt;br /&gt;Há maçãs que tu sabes que só te maçam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mundo, um canto secreto&lt;br /&gt;e o som rebentou em todos&lt;br /&gt;os ouvidos. Ninguém queria saber.&lt;br /&gt;Ninguém queria que soubesses.&lt;br /&gt;Eu? Eu só quis roubar as&lt;br /&gt;flores do mundo&lt;br /&gt;e mostrar-te que também elas&lt;br /&gt;podem apodrecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facto é que um fato te aperta sempre a garganta. O pescoço.&lt;br /&gt;Eu? Eu só te quis mostrar as maçãs e as flores.&lt;br /&gt;Eu só te quis mostrar valas e carcaças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi maçãs, todas elas iguais&lt;br /&gt;expostas em cestos,&lt;br /&gt;apenas a existirem,&lt;br /&gt;a serem vermelhas.&lt;br /&gt;À espera de serem vendidas&lt;br /&gt;e devoradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi as melhoras maçãs&lt;br /&gt;a serem corroídas por bicho.&lt;br /&gt;Eu cuspi essas maçãs&lt;br /&gt;dos meus olhos.&lt;br /&gt;Eu chorei essas maçãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo por valas e vejo&lt;br /&gt;corpos e carcaças.&lt;br /&gt;E maçãs. Tudo apodrecido,&lt;br /&gt;numa vala comum.&lt;br /&gt;Tudo comum e igual.&lt;br /&gt;Eu choro essas maçãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi caroços cuspidos,&lt;br /&gt;junto com saliva,&lt;br /&gt;perdidos no chão.&lt;br /&gt;O interior esmagado.&lt;br /&gt;O peso do facto.&lt;br /&gt;O peso dum fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos gritamos,&lt;br /&gt;e todos calamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os verdadeiros heróis&lt;br /&gt;não têm cara ou&lt;br /&gt;voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os verdadeiros heróis&lt;br /&gt;estão mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve o grito e cala-te.&lt;br /&gt;Eu? Eu só quero ser teu escravo.&lt;br /&gt;Para sempre.&lt;br /&gt;Sem cara. Sem voz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-2666785509500417670?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/2666785509500417670/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/01/macas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2666785509500417670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/2666785509500417670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2010/01/macas.html' title='Maçãs'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-6025821120089995794</id><published>2009-10-26T18:44:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T04:08:29.851-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Hoje</title><content type='html'>Hoje ouvi disfarçadamente,&lt;br /&gt;palavras que me haviam sido negadas,&lt;br /&gt;sons que, propositadamente, alguém escondeu&lt;br /&gt;dentro de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ouvi e pensei: como tudo&lt;br /&gt;perde o sabor ao fim de&lt;br /&gt;pouco tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje saboreei palavras que não serão repetidas,&lt;br /&gt;momentos que excederam o&lt;br /&gt;excedível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sei que este sentimento&lt;br /&gt;que renasce é, no seu âmago, um&lt;br /&gt;sem fim de palavras&lt;br /&gt;e horas mortas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sei.&lt;br /&gt;Amanhã talvez...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-6025821120089995794?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/6025821120089995794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/10/hoje.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/6025821120089995794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/6025821120089995794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/10/hoje.html' title='Hoje'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-7516999615989228026</id><published>2009-10-26T18:42:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T04:07:45.746-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Tantas vozes</title><content type='html'>&lt;div class="postcolor" id="post-75293"&gt;     Tantas vozes! Tantas vozes! TANTAS VOZES!&lt;br /&gt;Todos e todos os dias um sem fim de TANTAS VOZES&lt;br /&gt;que até me arrepio todo,&lt;br /&gt;porque sei que com elas há,&lt;br /&gt;necessariamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantas conversas! Tantas conversas! TANTAS CONVERSAS!&lt;br /&gt;E ao fim do dia já estou louco com TANTAS CONVERSAS&lt;br /&gt;sobre nada.&lt;br /&gt;Uma inutilidade e um desperdício.&lt;br /&gt;De tempo. De palavras. De tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me vale é que, nestas alturas&lt;br /&gt;eu só ouço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tantasvozestantasvozestantasvozestantasvozestantasvozestamtasvozes...               &lt;!--IBF.ATTACHMENT_75293--&gt;    &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-7516999615989228026?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/7516999615989228026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/10/tantas-vozes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/7516999615989228026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/7516999615989228026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/10/tantas-vozes.html' title='Tantas vozes'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-6488064434064079760</id><published>2009-10-26T18:38:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T04:07:07.284-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Implosão</title><content type='html'>A minha alma,&lt;br /&gt;vazia e aberta&lt;br /&gt;abre-se completa&lt;br /&gt;ao vento carnal&lt;br /&gt;que a devorará&lt;br /&gt;em parte incerta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espaço físico que preencho&lt;br /&gt;sodomizado pela força&lt;br /&gt;da implosão do meu ser.&lt;br /&gt;A minha voz a ser e a querer.&lt;br /&gt;O meu arbítrio a completar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo, agora quieto,&lt;br /&gt;leve na palma da minha mão,&lt;br /&gt;o silêncio do vazio,&lt;br /&gt;o descanso total esquartejado&lt;br /&gt;em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O absinto, o indizível.&lt;br /&gt;A alucinação, provavelmente,&lt;br /&gt;totalmente gorada.&lt;br /&gt;UM sopro no coração.&lt;br /&gt;O mundo só, irrequieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha mão, a preencher&lt;br /&gt;e a reeducar, a minha alma&lt;br /&gt;renascida em cinzas.&lt;br /&gt;UMA só alma em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu mundo, e o teu,&lt;br /&gt;amável e satisfeito,&lt;br /&gt;com ânsia de engrandecer&lt;br /&gt;a asfixia da carne.&lt;br /&gt;A minha voz a segredar as coisas.&lt;br /&gt;O segredo a revelar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha mão fechada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-6488064434064079760?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/6488064434064079760/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/10/implosao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/6488064434064079760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/6488064434064079760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/10/implosao.html' title='Implosão'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-212637898418412739</id><published>2009-10-11T18:25:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T04:06:22.913-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'></title><content type='html'>Gostava de te dizer baixinho&lt;br /&gt;palavras de amor como&lt;br /&gt;carinho&lt;br /&gt;mas não posso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava de te sussurrar ao ouvido&lt;br /&gt;dialectos oriundos de um tempo já&lt;br /&gt;perdido&lt;br /&gt;mas não quero...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque será?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-212637898418412739?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/212637898418412739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/10/gostava-de-te-dizer-baixinho-palavras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/212637898418412739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/212637898418412739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/10/gostava-de-te-dizer-baixinho-palavras.html' title=''/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-9029634782728311073</id><published>2009-10-11T18:16:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T04:06:01.592-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>O teu sangue</title><content type='html'>Fingiste, falsificas-te todo&lt;br /&gt;o teu sangue&lt;br /&gt;que escorre agora no som&lt;br /&gt;do mundo e da calcificação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teu sangue é falso&lt;br /&gt;A tua língua morta&lt;br /&gt;esconde, furta, mistifica&lt;br /&gt;como de costume,&lt;br /&gt;mas agora é (in)diferente:&lt;br /&gt;ruínas não mentem,&lt;br /&gt;cacos não morrem,&lt;br /&gt;eu não deixo.&lt;br /&gt;EU NÃO PROMETO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A percepção é uma questão de percepção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-9029634782728311073?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/9029634782728311073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/10/o-teu-sangue.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/9029634782728311073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/9029634782728311073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/10/o-teu-sangue.html' title='O teu sangue'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-3490155995779158052</id><published>2009-08-24T16:54:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T04:05:15.794-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'>Um Olhar Profundo</title><content type='html'>Abri os olhos e percebi que estava morto,&lt;br /&gt;absolutamente rígido&lt;br /&gt;na ruína vulcânica de&lt;br /&gt;ter um olhar partido&lt;br /&gt;e profundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e profundo e vão em eterna conexão&lt;br /&gt;com o que certamente serão&lt;br /&gt;livres estradas&lt;br /&gt;ou remotas memórias do que foi&lt;br /&gt;o meu ser em bálsamo abstracto&lt;br /&gt;e podre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e podre embarco nesta neurose de&lt;br /&gt;falsos pensamentos&lt;br /&gt;acompanhados de obscenos&lt;br /&gt;argumentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;argumentos que me levam a questionar o teu&lt;br /&gt;ser&lt;br /&gt;e provavelmente o que é&lt;br /&gt;ser?&lt;br /&gt;e eu questiono sem medo, ou&lt;br /&gt;a medo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a medo parto numa jornada que certamente&lt;br /&gt;não terá fim a não ser&lt;br /&gt;o fim da minha mente&lt;br /&gt;enfim, ou&lt;br /&gt;em fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em fim devolvo os traços engolidos por mastodontes&lt;br /&gt;e masturbações precoces&lt;br /&gt;tu revelas-te assim, enfim&lt;br /&gt;ou em fim&lt;br /&gt;dentro de mim,&lt;br /&gt;como uma mão partida&lt;br /&gt;dentro de um olhar partido,&lt;br /&gt;ou como uma máscara a menos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou como uma máscara a menos fizesse a diferença&lt;br /&gt;dentro de um enorme tornado de flores&lt;br /&gt;e pedras e sepulturas,&lt;br /&gt;mascará a tua face&lt;br /&gt;tal como seguramente&lt;br /&gt;a sepultura mascara a tua face&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a sepultura mascara a tua face&lt;br /&gt;tal como a minha,&lt;br /&gt;tal como eu desejo enfim, ou&lt;br /&gt;em fim&lt;br /&gt;mascar a tua&lt;br /&gt;mascar a minha&lt;br /&gt;máscara também mascara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;máscara também mascara o que enfim, e&lt;br /&gt;certamente&lt;br /&gt;sem fim&lt;br /&gt;eu me hei-de tornar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu me hei-de tornar o que&lt;br /&gt;a sepultura me deseja&lt;br /&gt;e a máscara me exige&lt;br /&gt;um olhar profundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um olhar profundo e partido&lt;br /&gt;e tapado e obscurecido&lt;br /&gt;absolutamente vazio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechei os olhos e percebi que estava vivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-3490155995779158052?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/3490155995779158052/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/08/um-olhar-profundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3490155995779158052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/3490155995779158052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/08/um-olhar-profundo.html' title='Um Olhar Profundo'/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-8995293966683538962</id><published>2009-08-24T16:42:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T03:50:32.926-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'></title><content type='html'>Observei meticulosamente esta gota de sangue&lt;br /&gt;que me escorria da mão&lt;br /&gt;não a reconheci&lt;br /&gt;nem estou certo que seja minha&lt;br /&gt;é-me indiferente&lt;br /&gt;não a desejo conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas minhas frases&lt;br /&gt;vejo tantas negativas que&lt;br /&gt;por vezes penso que&lt;br /&gt;não poderia fazer pior;&lt;br /&gt;Mas faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um deus com letra minúscula&lt;br /&gt;que observa a sua majestosa noite&lt;br /&gt;de forma, óbvia e necessariamente, inglória.&lt;br /&gt;Obedeço a premissas&lt;br /&gt;que me foram induzidas&lt;br /&gt;no cérebro de forma aleatória.&lt;br /&gt;Sou um Rato que governa&lt;br /&gt;mimicamente uma legião de escamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há sítio no mundo&lt;br /&gt;que não pertença aos labirintos&lt;br /&gt;que construo em terraços&lt;br /&gt;de enormes glaciares.&lt;br /&gt;Por ventura, a minha animosidade&lt;br /&gt;para com o restante&lt;br /&gt;só dilui no caso de andares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero respirar,&lt;br /&gt;com urgência!&lt;br /&gt;terra fria e sol de morte&lt;br /&gt;quero uma gabardina preta&lt;br /&gt;e um saleiro&lt;br /&gt;quero-me deleitar ou deitar&lt;br /&gt;no teu corpo.&lt;br /&gt;Apenas quero um copo de leite.&lt;br /&gt;Sou simples.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-8995293966683538962?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/8995293966683538962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/08/observei-meticulosamente-esta-gota-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8995293966683538962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/8995293966683538962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/08/observei-meticulosamente-esta-gota-de.html' title=''/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3913918042902501590.post-4731118383883095550</id><published>2009-08-24T13:29:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T03:48:58.964-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Poesia Mata'/><title type='text'></title><content type='html'>Por vazios frios e horas de enorme&lt;br /&gt;tensão que amolgam&lt;br /&gt;tensamente ou ternamente&lt;br /&gt;aquilo que outrora&lt;br /&gt;possivelmente foi a minha flor&lt;br /&gt;passeio sem memória&lt;br /&gt;desses tempos&lt;br /&gt;de enorme lazer&lt;br /&gt;e repúdio a tua voz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;penso às vezes nos pedaços de carpete negra&lt;br /&gt;que abraçava com renovado entusiasmo&lt;br /&gt;quando do topo da minha extrema misantropia&lt;br /&gt;observava valas! e anjos que se referiam&lt;br /&gt;ao problema como se algo estivesse errado:&lt;br /&gt;Não estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia zonas erógenas a serem estimuladas&lt;br /&gt;mas isso sem dúvida agradava&lt;br /&gt;a diversos itens que se moviam rapidamente&lt;br /&gt;neste alucinogénico sonho&lt;br /&gt;de sobreviver no entretanto&lt;br /&gt;das palavras&lt;br /&gt;que me sufocam&lt;br /&gt;e pedem para sair.&lt;br /&gt;Não as reconheço;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de qualquer modo, há maneiras e maneiras&lt;br /&gt;e o facto incontornável que eu&lt;br /&gt;não as tenho&lt;br /&gt;não as possuo dentro de mim&lt;br /&gt;mas sou possuído&lt;br /&gt;maquinalmente, diria&lt;br /&gt;com a exactidão de uma&lt;br /&gt;chama perpétua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há fossos dentro de mim,&lt;br /&gt;enormes, gigantescas reservas de petróleo&lt;br /&gt;prestes a incendiar o enorme misto de&lt;br /&gt;inconstantes pensamentos&lt;br /&gt;ou palavras outra vez: Arda Tudo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3913918042902501590-4731118383883095550?l=oarseniomata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oarseniomata.blogspot.com/feeds/4731118383883095550/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/08/por-vazios-frios-e-horas-de-enorme.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4731118383883095550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3913918042902501590/posts/default/4731118383883095550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oarseniomata.blogspot.com/2009/08/por-vazios-frios-e-horas-de-enorme.html' title=''/><author><name>Arsénio Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10558416938519309827</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_8Xs38lzsfc8/S13vtD-P10I/AAAAAAAAACI/y5MzU2IxLzM/S220/P1010025.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
